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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Emprego. Em Portugal....

De um momento para o outro dei por mim a pensar na tarefa difícil de arranjar emprego em Portugal. Lembrei-me ''porque não fazer um post sobre o mesmo?''. Porque isto depois de vários meses em entrevistas, de várias tentativas, tenho sempre algo a retirar. 

Portanto na minha primeira entrevista estava extremamente empolgada, com um pensamento positivo, de ''vou conseguir''. Andava  a pensar que ia ser fácil.  Mas depois da vigésima entrevista, uma pessoa começa a achar que algo está mal. E de facto, chego à conclusão que sim. O candidato ideal:

- Ter entre 21 e 30 anos + apresentação + (...)



Claro que tem de ter uma carinha nova, estar bem apresentada, maquilhada (se for uma rapariga), mas atenção (!), maquilhada sem exageros. Isto confunde uma pessoa. Pois isso é o quê? Para mim, base, rímel e pouco mais. Mas não, disseram-me, base, rímel, sombra, batom que esteja adequado. E lá volto eu à palavra ''adequado''. Ok... Depois a roupa. Sempre limpa, cuidada. Mas nunca se sabe quem está do outro lado a recrutar. Temos a pressão de corresponde às expectativas. Será que deve ser muito formal? Casaco, camisa, calça, salto? Ou sem salto? Andar por Lisboa de saltos é chato... Chegamos à entrevista a morrer. Mas de rasos? Será que desce na expectativa? Ou será que estou a ir muito formal? Bem, depende... Depende sempre do que se considera adequado, na perspectiva de quem recruta! Sem esquecer que tem de ser simpática, dinâmica (quantas vezes ouvi isto), responsável, pontual, ambiciosa para atingir objectivos, ter capacidade de trabalhar sob stress, capacidade de resolver os problemas rapidamente, e o resto continua, mas vocês já sabem!

- Ter mais de 5 anos de experiência




Mas claro que com 23 anos já é de esperar que todos tenhamos, NO MINIMO, 5 anos de experiência. Portanto, a faculdade foi feita já estávamos a trabalhar na área. E quem não fez Faculdade, teve sempre oportunidade de ter experiência na area que se interessa. Não há qualquer duvida para isso! Portanto é simples!

- Disponibilidade total

Fins-de-semana livres para trabalhar, telemóvel livre para responder a qualquer hora, folgas rotativas, separadas, ou até quiçá ceder um dia do total de dois de folga. Tudo bem, já fiz isso, já trabalhei mais de 8 horas, já tive meses a fio em que tinha só uma folga por semana e mesmo assim era chateada com trabalho. Mas no fim do mês tinha lá o cheque, com um montante interessante. Por isso, tenham a agenda livre a 100%. Adeus família, amigos, namorado... Olá trabalho! Anyway, estou disponível, assim como mais mil pessoas! 100% disponível para trabalhar! 



- Recibos verdes

Além de salários de 600 euros, devem ter recibos verdes. Não! Não há outra opção! Não gostas? Simples... Continua à procura. Pode ser que consigas um contracto, 500 euros líquidos e um cartão para descontar nas refeições.



- Dinâmica de grupo entrevista em grupo

Aquelas salinhas, com 15 pessoas ao mesmo tempo, porque quem recruta já tem tantos, mas tantos candidatos que o melhor mesmo é meter tudo junto numa sala e ver aqueles que falam mais. Aqueles que falarem mais (porque se sentem à vontade) podem passar à próxima fase. E pronto, a minha cara de perplexa, por ver que numa sala de 15 pessoas, cerca de 80% está licenciado, alguns já com mestrados, a concorrer para uma loja, ou supermercado. Este País é muito inspirador, de facto! Não podemos dar-nos ao luxo de trabalhar na área que estudámos. Nem de perto... Por isso que comece a corrida, para ''seja-lá-o-que-for''. Porque nós precisamos!



- Línguas

Quando nas entrevistas que tinha dizia que falava inglês fluentemente, espanhol mediano, perguntavam logo se não falava francês. Dizia que tinha tido aulas especificas do mesmo, durante uns 5/6 anos, mas que precisava praticar de novo para me recordar. Sim, não basta falarem 3 línguas. Isso é coisa de burro... 



E pronto, estas são algumas das características que temos de ter. Honestamente, nem assim sempre será possível. Sim, as cunhas existem. Nem sempre resultam, pois poderá aparecer alguém melhor. Mas em muitos casos sim. Adorei especialmente quando fui a uma entrevista para um restaurante como hostess e quem está a recrutar cumprimenta logo uma das candidatas à porta. Com um sorriso. E a entrevista? Não houve entrevista para ninguém que estava à espera. O que aconteceu é que foi introduzido o que seria feito no trabalho, valores, horas de trabalho e depois era para aguardar por uma chamada. Afinal isto de ir a entrevistas e ser entrevistado é old school. O melhor mesmo é ir lá, ver quem recruta, o mesmo vê-nos, já sabe quem vai escolher e pronto. O suposto candidato não precisa falar, só acenar que sim para ''concordo'' e que não para ''discordo''. Assunto resolvido! 

Portanto, gostava de espalhar esse nome com letras bem grandes para ninguém ir lá! Afinal eu que tinha decorado a historia de dono desse restaurante, que sabia o nome do livro que escreveu, que sabia quando os seus restaurantes foram abertos, que sabia o tipo de cozinha... Mas não... O importante foi mesmo saber as funções de um trabalho que não ia ser meu.

Outro episodio muito interessante foi quando me ligaram para uma entrevista, para hostess também. Eu disse que podia, porque estava a pensar trocar a minha hora de almoço na promoção que faria nesse dia, e assim ia à entrevista e fazia a promoção que tinha a fazer. Como não consegui trocar, liguei com antecedência, a perguntar se dava para marcar a entrevista para sábado, em vez de sexta. Caso não fosse possível, eu iria à entrevista na mesma na sexta, como acordado. ''Sim, não tem problema. Ligue-me sábado à tarde, que a entrevista fica para entre as 16h-18h, no local que irei informar. Posso estar num dos dois restaurantes, ou no escritório. Mas quando ligar digo-lhe''. Tudo bem, para mim não ter a certeza das horas da entrevista, nem do local, não tem problema. Chego lá na mesma... Mas Sábado, como combinado, quando ligo a perguntar como seria, dizem-me ''Ah, desculpe. Sabe, já escolhemos ontem. E esqueci-me de avisar''. Com aquela voz de pato, teve ainda mais piada. daí a minha resposta cordial. Meu querido, não tem problema. Só me fez perder 1 hora a ir para perto do local, fez-me gastar dinheiro em transportes, porque não uso passe e nessa zona não consigo estacionar o carro. A minha resposta foi '' Ah... Está bom, obrigada''. 

Acredito num Mundo cor-de-rosa, bonito, com  flores, pessoas honestas, inteligentes... E isto aqui de fazer perder tempo aos outros, não passa de uma ilusão. Por isso, vou respirar fundo... E a todas as pessoas que foram menos correctas comigo em entrevista, um bem haja. E, não, não me queixo de trabalhos com folgas rotativas, fins-de-semana a trabalhar, etc... porque se concorro para o emprego é porque gostarei do que vou fazer. Prefiro trabalhar bastante mas na área que gosto, do que trabalhar menos em algo que não me identifique. 



Bom inicio de semana para todos. 

1 comentário:

Ana Rosalino disse...

Como eu (infelizmente) compreendo! :( este país está a desabar completamente e não vejo luz ao fundo do túnel... já me quiseram pagar um ordenado de 250€ por um trabalho a tempo inteiro de 8h diárias, 5 dias/semana e tinha de pagar casa, despesas, transporte e comida com isso!! é de loucos :(